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Vila de Tentúgal Situada numa planicie com algum declive para oriente, ocidente e sul, por onde, a pouca distância, confronta com
os Campos do Mondego. Fica a nordeste de Coimbra e é caminho obrigatório entre
esta cidade e a da Figueira da Foz. Serve-a uma das mais lindas estradas do
Pais, ora serpeando entre colinas cobertas de umbrosa vegetação, ora
espreguiçando-se no doce plano dos Campos do Mondego. As ruas da
vila são largas e possue três espaçosos largos: - o Rossio, o do Ribeiro e o da
Chieira ( este de forma triangular,o mais importante no qual se realizam as
feiras ) além da pequena praça da Olaia. Apesar da decadência que a vila
começou a sofrer nos fins do século XVIII, ainda vale bem a pena, àqueles que
tem o culto da Arte, virem ate Tentúgal ou aqui fazerem uma paragem para
admirar o antigo solar dos duques do Cadaval, algumas fachadas de casas
fidalgas,a Igreja Matriz e a da Misericordia, o antigo convento das freiras
Carmelitas com a sua Linda igreja, a Tôrre do Relógio, que fazia parte do
castelo ou dos Paços do Concelho, além de portais a vãos de janelas, cheias de
elegância e graciosidade, varandas e escadas exteriores, cimalhas, esgrafitos,
chaminés e cantos, telhados ornamentados de abóboras que nem por serem singelos
deixam de possuir beleza. Tentúgal,
terra de recordações, tem ainda, a dar-lhe fama, os seus magníficos pastéis de
grande aceitação nacional, herança deixada pelas antigas freiras Carmelitas, de
excelente recheio e óptimo folhado, e que fazem a delícia do viajante que obrigatoriamente
pára na antiga Tia Conceição e ali os
come, quase sempre regando-os com o delicioso e aromático vinho branco de que
esta região é pródiga. DO LIVRO TERRAS DE MONTEMOR-O-VELHO |
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Fundação 0 Livro de testamentos, do
convento de Lorvão, diz-nos que no ano de 954 recebe o mosteiro
lorvanense, por doação testamentária de
Rodrigues Abulmundar, na vila de
Tentúgal campos de cultura . O
referido livro, no mesmo século, ensina-nos mais: - « Os
fâmulos de Deus - Bahri e Trunquilli, doaram a este mosteiro, no
ano de 980, uma herdade em Taveiro e duas igrejas, uma de S. Pedro e S. Miguel,
em Tentúgal e outra em Santa Eulália, na vila do Arquanio». Nos
fins do reinado de D. Afonso VI, de Castela, edificou ou reedificou o nosso
conde D. Henrique a vila de Tentúgal por ordem do sogro, como consta do foral
dado pelo conde à povoação, em 1108.
O foral diz expressamente que o sogro de D. Henrique mandou que este edificasse e construísse a vila; mas no
testamento do conde D. Sesnando, escrito em 1087, diz-se que povoou a vila de
Tentúgal, herdada dos seus antepassados. Do
conjunto das duas afirmações tem de se admitir - e é essa a opinião do Dr. José
leite de Vasconcelos - que o conde D. Henrique não a edificasse propriamente,
mas sim a tivesse reedificado, quer para a melhorar nas suas defesas, quer por
ela ter sido arrasada pelos árabes em alguma incursão posterior à vida de D.
Sesnando. E, de facto, este conde moçárabe e governador do território de
Coimbra, levantou da completa ruína vários castelos da região, fazendo
simultaneamente o repovoamento de muitas terras, entre elas a da sua
naturalidade - Tentúgal. D.
Sesnando foi, pois, quem repovoou o lugar e edificou ( 1087 ) o seu castelo;
mas foi o conde D. Henrique que o reconstruiu a certamente o ampliou. Das obras
henriquinas resta apenas, diz-se, uma velha tôrre, conhecida pela Tôrre do Relógio
que, provavelmente, devia ter sido a tôrre de menagem. Acerca desta, diz-nos,
em 1721 o Padre Luiz Cardoso: E assim
e : - a-pesar-de terem passado mais de três séculos, depois da descrição do
estudioso investigador, a torre continua a desafiar o tempo e a dominar o
casario da antiga pátria de D. Sesnando . A porta da tôrre é gótica, no género
das portas laterais da Igreja Matriz a duma outra da igreja da Povoa. Em
documentos antigos, aparecem referencias a umas estrebarias do infante D.
Pedro, duque de Coimbra, no sitio, pouco mais ou menos, do largo da Olaia, por
detrás da Torre do Relógio. A gente antiga diz que havia ali, no século xrx,
umas casas muito velhas com uma janela manuelina, semelhante a outra da casa
dos Forjaz de Sampaio, edifício esse que a tradição afirma ter sido o palácio
de D. Sesnando. O bispo
D. Paterno doou a igreja de S. Miguel de Mirlaos, entre outras, metade da vila
de Tentúgal (r),que é confirmada quando da morte do antiste, em 1087, que
assevera ter povoado, entre outras, a vila de Tentúgal. A dar-se cr6dito ao que
D. Paterno diz - e deve dar-se - o povoamento foi um repovoamento. DO LIVRO TERRAS DE MONTEMOR-O-VELHO |
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